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28 março, 2016

Perguntas sobre confissão que você nunca teve coragem de fazer


Encontrei no blog Encontros de Catequese um material ótimo sobre o  sacramento da confissão. Podemos dinamizar o encontro com estas perguntas que reproduzo logo abaixo.  Para dinamizar o encontro podemos imprimir as perguntas e respostas separadas, misturá-las e entregar para os catequizandos. Os catequizandos que tirarem as perguntas irão, um de cada vez,  ler em voz alta. Os demais irão analisar se estão com a resposta para aquela pergunta. O que acham?

***


SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO
1. O QUE É A CONFISSÃO?
Confissão ou Penitência é o Sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, para que os cristãos possam ser perdoados de seus pecados e receberem a graça santificante. Também é chamado de sacramento da Reconciliação.

2. QUEM INSTITUIU O SACRAMENTO DA CONFISSÃO OU PENITÊNCIA?
O sacramento da Penitência foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo nos ensina o Evangelho de São João: "Depois dessas palavras (Jesus) soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem vocês perdoarem os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 22-23).

3. A IGREJA TEM A AUTORIDADE PARA PERDOAR OS PECADOS ATRAVÉS DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA?
  Sim, a Igreja tem esta autoridade porque a recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu" (Mt 18,18).

4. POR QUE ME CONFESSAR E PEDIR O PERDÃO PARA UM HOMEM IGUAL A MIM?
Só Deus perdoa os pecados. O Padre, mesmo sendo um homem sujeito às fraquezas como outros homens, está ali em nome de Deus e da Igreja para absolver os pecados. Ele é o ministro do perdão, isto é, o intermediário ou instrumento do perdão de Deus, como os pais são instrumentos de Deus para transmitir a vida a seus filhos; e como o médico é um instrumento para restituir a saúde física, etc.

5. OS PADRES E BISPOS TAMBÉM SE CONFESSAM?
Sim, obedientes aos ensinamentos de Cristo e da Igreja, todos os Padres, Bispos e mesmo o Papa se confessam com frequência, conforme o mandamento: "Confessai os vossos pecados uns aos outros" (Tg 5,16 ).

6. O QUE É NECESSÁRIO PARA FAZER UMA BOA CONFISSÃO?
Para se fazer uma boa confissão são necessárias 5 condições:
a) um bom e honesto exame de consciência diante de Deus;
b) arrependimento sincero por ter ofendido a Deus e ao próximo;
c) firme propósito diante de Deus de não pecar mais, mudar de vida, se converter;
d) confissão objetiva e clara a um sacerdote;
e) cumprir a penitência que o padre nos indicar.

7. COMO DEVE SER A CONFISSÃO?
    Diga o tempo transcorrido desde a última confissão. Acuse (diga) seus pecados com clareza, primeiro os mais graves, depois os mais leves. Fale resumidamente, mas sem omitir o necessário. Devemos confessar os nossos pecados e não os dos outros. Porém, se participamos ou facilitamos de alguma forma o pecado alheio, também cometemos um pecado e devemos confessá-lo (por exemplo, se aconselhamos ou facilitamos alguém a praticar um aborto, somos tão culpados como quem cometeu o aborto).
 8. O QUE PENSAR DA CONFISSÃO FEITA SEM ARREPENDIMENTO OU SEM PROPÓSITO DE CONVERSÃO, OU SEJA, SÓ PARA "DESCARREGAR" UM POUCO OS PECADOS?
Além de ser uma confissão totalmente sem valor, é uma grave ofensa à Misericórdia Divina. Quem a pratica comete um pecado grave de sacrilégio.

9. QUE PECADOS SOMOS OBRIGADOS A CONFESSAR?
  Somos obrigados a confessar todos os pecados graves (mortais). Mas é aconselhável também confessar os pecados leves (veniais) para exercitar a virtude da humildade.

10. O QUE SÃO PECADOS GRAVES (MORTAIS) E SUAS CONSEQUÊNCIAS?
   São ofensas graves a Deus ou ao próximo. Eles apagam a caridade no coração do homem e o desviam de Deus. Quem morre em pecado grave (mortal) sem arrependimento, merece a morte eterna, conforme diz a Escritura: "Há pecado que leva à morte" (1Jo 5,16b).

11. O QUE SÃO PECADOS LEVES (ou também chamados de VENIAIS)?
   São ofensas leves a Deus e ao próximo. Embora ofendam a Deus, não destroem a amizade entre Ele e o homem. Quem morre em pecado leve não merece a morte eterna. "Toda iniquidade é pecado, mas há pecado que não leva à morte" (1Jo 5, 17).

12. PODEIS DAR ALGUNS EXEMPLOS DE PECADOS GRAVES?
São pecados graves, por exemplo: O assassinato, o aborto provocado, assistir ou ler material pornográfico, destruir de forma grave e injusta a reputação do próximo, oprimir o pobre, o órfão ou a viúva, fazer mau uso do dinheiro público, o adultério, a fornicação, entre outros.

13. QUER DIZER QUE TODO AQUELE QUE MORRE EM PECADO MORTAL ESTÁ CONDENADO?
Merece a condenação eterna. Porém, somente Deus, que é justo e misericordioso e que conhece o coração de cada pessoa, pode julgar.

14. E SE TENHO DÚVIDAS SE COMETI PECADO GRAVE OU NÃO?
Para que haja pecado grave (mortal) é necessário:
a) conhecimento, ou seja, a pessoa deve saber, estar informada que o ato a ser praticado é pecado;
b) consentimento, ou seja, a pessoa tem tempo para refletir, e escolhe (consente) cometer o pecado;
c) liberdade, isto é, significa que somente comete pecado quem é livre para fazê-lo;
   d) matéria, ou seja, significa que o ato a ser praticado é uma ofensa grave aos Mandamentos de Deus e da Igreja.
Estas 4 condições também são aplicáveis aos pecados leves, com a diferença que neste caso a matéria é uma ofensa leve contra os Mandamentos de Deus.

15. SE ESQUECI DE CONFESSAR UM PECADO QUE JULGO GRAVE?
Se esquecestes realmente, o Senhor te perdoou, mas é preciso acusá-lo ao sacerdote em uma próxima confissão.

16. E SE NÃO SINTO REMORSO, COMETI PECADO?
Não sentir peso na consciência (remorso) não significa que não tenhamos pecado. Se nós cometemos livremente uma falta contra um Mandamento de Deus, de forma deliberada, nós cometemos um pecado. A falta de remorso pode ser um sinal de um coração duro, ou de uma consciência pouco educada para as coisas espirituais (por exemplo, um assassino pode não ter remorso por ter feito um crime, mas seu pecado é muito grave).

17. A CONFISSÃO É OBRIGATÓRIA?
  O católico deve confessar-se no mínimo uma vez por ano, ao menos a fim de se preparar para a Páscoa. Mas somos também obrigados toda vez que cometemos um pecado mortal.



18. QUAIS OS FRUTOS DE SE CONFESSAR CONSTANTEMENTE?
 Toda confissão apaga completamente nossos pecados, até mesmo aqueles que tenhamos esquecido. E nos dá a graça santificante, tornando-nos naquele instante uma pessoa santa. Tranquilidade de consciência, consolo espiritual. Aumenta nossos méritos diante do Criador. Diminui a influência do demônio em nossa vida. Faz criar gosto pelas coisas do alto. Exercita-nos na humildade e nos faz crescer em todas as virtudes.

19. E SE TENHO DIFICULDADE PARA CONFESSAR UM DETERMINADO PECADO?
 Se somos conhecidos de nosso pároco, devemos neste caso fazer a confissão com outro padre para nos sentirmos mais à vontade. Em todo caso, antes de se confessar converse com o sacerdote sobre a sua dificuldade. Ele usará de caridade para que a sua confissão seja válida sem lhe causar constrangimentos. Lembre-se: ele está no lugar de Jesus Cristo!

20. O QUE SIGNIFICA A PENITÊNCIA DADA NO FINAL DA CONFISSÃO?
A penitência proposta no fim da confissão não é um castigo; mas antes uma expressão de alegria pelo perdão celebrado.


Fonte: Padre Wagner Augusto Portugal (Site da Comunidade Canção Nova



21 março, 2016

A Verdadeira Páscoa




Não faz sentido para mim, depois de uma catequese sobre a semana santa, o(a) catequista entregar uma lembrancinha de coelho.   Você pode pensar: "Mas o coelho é um símbolo da Páscoa, não tem problema". Sim, é. Inclusive há outros símbolos: sinos, peixe, cordeiro, trigo, vela, ovo... Então, por que esta preferência mundial? Porque vende, vende milhões de ovos de chocolate, no país inteiro, que custam o olho da cara  

Entenda: a páscoa do comércio, da sociedade consumista, é esta mesmo:  ovos de chocolate e coelhos serelepes, mas não é a nossa. Faça um teste: digite "páscoa" no Google. Ok? Só vai aparecer ovos de chocolate e coelhinhos fofos. Para termos acesso ao conteúdo da verdadeira páscoa, precisamos digitar "páscoa cristã". 

Então, por que reforçar o consumismo  se a figura do coelho e seus ovos diminuíram, quando não apagaram, o próprio ressuscitado? Quando você fala da ressurreição de Jesus e depois entrega uma lembrança de coelho, o que você acha que vai mais ficar guardado na memória do catequizando? A palavra ou a imagem? A teoria ou a prática? O conselho ou o exemplo?

Para mim, a lembrancinha melhor, além de uma boa catequese que permita ao catequizando compreender a ressurreição, é a própria imagem de Jesus ou uma imagem do cordeiro que é um símbolo  da Páscoa no Antigo Testamento. 

E a verdade é esta: O consumismo pelo ovo faz a "páscoa" de muitas crianças quando os pais têm condições financeiras, mas, nas famílias carentes, o coelhinho  não vai levar nada, nada, nada. Já a Páscoa cristã é gratuita, acessível para todos independente da classe social. Ninguém fica de fora desta grande festa (a não ser que queira). O banquete é preparado para todos. Posso te confessar uma coisa? Eu  não recebia ovos de chocolate quando era criança. Meus pais não tinham condições de comprar. 

Infelizmente,  os símbolos do coelho e ovo viraram mercadoria para encher os bolsos de dinheiro dos comerciantes e gerar lucro, não "vida nova". Precisamos estar atentos!  Como catequistas não podemos cair nessa armadilha. 

Cris Menezes


***

Sugestões de lembrancinhas


Site: Ministério Gospel Infantil

Site: Sheila pinturas e escolinha bíblica


Site:
pequeninos-de-jesus




16 março, 2016

Sacramentos-Planejamento do Encontro para Catequese com adultos




Objetivo

Refletir acerca da importância dos sacramentos para formar a comunidade cristã e a Igreja, e para alimentar a é e o amor na vida de cada pessoa.

Ambiente

Se  o grupo for pequeno, colocar cadeiras em volta da mesa. Se for grande, fazer uma roda, pôr sobre a mesa, ou no meio da roda, alguns símbolos dos sacramentos: água, vinho, pão, óleo e sal.

Abrindo a Bíblia
Os evangelhos foram escritos anos depois da morte e ressurreição de Jesus. Por isso eles contam aquilo que os discípulos não esqueceram nunca mais, porque foram acontecimentos cheios de amor e de emoção. Uma das cenas que ficou para sempre no coração dos discípulos foi a última ceia (Ler Lc 22,19-20).
Durante a última ceia, antes de Jesus entregar-se como alimento, no pão e no vinho, ele rezou muito ao Pai e consolou os amigos, que estavam angustiados com a despedida. No fim, prometeu-lhes o Consolador, o Espírito Santo, que nós, cristãos, também recebemos nos sacramentos do batismo e da confirmação (Ler Jo 16,5-7).

Outro acontecimento que os seguidores de Jesus nunca mais esqueceram foi o último pedido dele, na hora de voltar para o pai, depois de sua morte e ressurreição: Jesus os enviou a proclamar o Evangelho e a batizar todos os que cressem nele (Ler Mt 28,18-20).

Escolhe um dos três textos lidos e aprofundá-lo, segundo os passos da leitura orante.


Comentário

Quando esses trechos dos evangelhos foram escritos, as comunidades cristãs eram formadas por pessoas que não tinham conhecido Jesus, mas acreditavam nele, ressuscitado e presente em sua vida e na comunidade. A fé se fortalecia pelos sacramentos: pelo batismo as pessoas passavam a fazer parte da Igreja, a eucaristia era o centro da reunião fraterna da comunidade e a confirmação era dada antes do envio de missionários para testemunhar e Evangelho e anunciar Jesus.

Até hoje, na Igreja, são os sacramentos que fazem crescer em nós a fé e a graça de Deus, alimentam a vida cristã e nos dão força para amar a Deus e aos irmãos e irmãs.

Rezando a vida e a Bíblia
(Mostrar que os símbolos que estão na meio da roda são alimentos também. Deixar que cada pessoa diga quais são os benefícios do pão, do vinho, da água, do óleo e do sal em nossa vida física.  Motivar o grupo a fazer orações espontâneas, pedindo a Deus que os sacramentos tragam para nossa vida espiritual tudo aquilo que os alimentos trazem para o nosso corpo. Encerrar a oração com o texto de Paulo [1 Cor 1,4-9], rezando na Bíblia, por versículos.

Benção: Que Cristo ressuscitado nos dê a graça de alimentar nossa fé, esperança e caridade por meio dos sacramentos.

Todos(as): Amém!
Animador(a): Vamos levar a todos a alegria da graça de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Todos: Amém!
Animador(a): Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
Todos(as): Para sempre seja louvado.
Levando a Bíblia para a vida
Diante do que refletimos, que Deus nos pede?
Que vou fazer nesta semana?


Lendo a Bíblia em casa

Jo 15, 1-11- Somos chamados a viver em Cristo como ramos unidos ao tronco. Ele alimenta em nós sua graça por meio dos sacramentos.

Retirado do Livro "Viver em Cristo", CNBB.

14 março, 2016

Por que domingo é dia do Senhor?

Uma catequizanda me perguntou por que não temos o sábado como dia de descanso, eu expliquei. Como sei que é um questionamento muito comum, copio aqui um trecho do livro"Iniciação à vida cristã" (Paulinas) que fala um pouco sobre isso.


"Como Tomé, muita gente hoje não participa da vida em comunidade aos domingos. O dia de domingo é importante para encontrar-se com a família, descansar e sentir o prazer de viver, mas ele é feito especialmente para dedicarmos ao Senhor uma parte da nossa semana. Um dia não haverá segunda, apenas domingo, e então será o Reino de Deus. Quem se esquece de Deus, trabalha ou vive o domingo só para si e sua família, só absorvido no seu lazer, esquece o verdadeiro sentido desse dia.

Os primeiros cristãos, por serem judeus, continuavam frequentando a sinagoga aos sábados e seguiam a lei mosaica. Logo, porém, assumiram o domingo como o dia em que a comunidade se reunia para celebrar a fé em Jesus ressuscitado. De fato, Jesus venceu a morte no primeiro dia da semana, ou seja, no domingo. Por isso o domingo passou a ser, para o seguidores de Jesus, o dia em que se celebra a vitória da vida sobre a morte. No livro do Apocalipse (1,10), o domingo é chamado de "dia do Senhor" e parece ser justamente esse o sentido desta palavra.

O dia de descanso serve para lembrar o porquê do trabalho: Deus trabalhou durante seis dias na criação do mundo e descansou no sétimo; Pelo trabalho, o homem participa na obra da criação."

Fonte: Iniciação à Vida Cristã. Autores: Leomar Antônio Brustolin e Antônio Francisco Lelo.

12 março, 2016

Quem é Jesus? Planejamento para catequese de Crisma com adultos



Google



Parte1: Retirado do livro "Viver em Cristo" (CNBB)
Abrindo a Bíblia- Lc 4,16-21 
Jesus na sinagoga de Nazaré. 

Comentário: Quando Jesus entrou na sinagoga de Nazaré, cidade onde morava, e se levantou para ler, ninguém viu nada de especial nisso. Com certeza ele fazia a leitura da liturgia desde adolescente. O problema é que ninguém imaginava quem,m ele era de fato. Todos o conheciam como o filho do carpinteiro, que nasceu pobre como eles. 

Jesus abriu o rolo e leu o livro de Isaías, depois disse que a profecia estava acontecendo. As pessoas nada entenderam e até quiseram linchá-lo. Mas não tiveram coragem. Naquele dia, ele apresentou o seu programa de vida e de missão: " O Espírito está sobre mim... Ele me ungiu e me enviou." O programa de Jesus é bem claro: ele quer libertar, ajudar, salvar e amar a todos.

O reino de Deus, que Jesus veio anunciar e viver, já começa aqui na terra.Quando uma pessoa é capaz de amar e viver a justiça, a solidariedade, a comunhão, o mundo se torna melhor. Somos chamados a preparar o mundo para o encontro definitivo com Deus, na eternidade. Talvez falte muito tempo para isso, porque ainda existe muita escravidão e opressão, mas transformar o mundo é a missão do cristão; e a vida em comunidade é sinal de que isso é possível.


Parte2 - Desenvolvimento do tema (Livro Seguir o mestre, A.F.Blankendaal)


-Situação social e econômica onde Jesus se criou- Palestina
A Palestina era principalmente uma região agrícola. Havia também a pecuária, pesca e artesanato. As profissões mais comuns eram as de carpinteiro, pedreiro e tecelão.

O comércio entre as regiões era intenso. Nas cidades viviam os proprietários de grandes fazendas, os grandes e pequenos comerciantes, artesãos diversos, funcionários públicos, coletores de impostos, uns sacerdotes. Também havia um número razoável de pobres, mendigos, deficientes, desempregados.
No campo viviam pequenos camponeses, assalariados( boias-frias), diaristas, escravos. Todos eles pobres e explorados pelos altos tributos.

Os impostos cada vez mais altos (chegavam a 30% ou 40% da produção), eram cobrados para manter o exército romano e os funcionários.  Parte deste tributo ia para as elites de Roma. Também o templo de Jerusalém e a aristocracia recebiam parte dos tributos.

Além da cobrança exagerada, havia muito desvio de dinheiro público.

Jesus morava numa aldeia no campo, em Nazaré, como carpinteiro e lavrador. Trabalhava em troca alimento ou de dinheiro para sobreviver. Jesus nunca apoiou essa situação de miséria e empobrecimento imposta ao povo pelos governantes.

As classes sociais eram bem divididas entre ricos e pobres. Havia muitas maneiras de marginalizar grupos de pessoas (pela profissão, pelo defeito físico, pela doença etc). O povo não tinha voz nem vez. A sociedade era individualista, separatista, racista, escravista.

Jesus aparece com uma proposta nova de vida e relacionamento com pessoas. Ele quer todos iguais e respeitados.

Família patriarcal: o pai era o centro, tinha autoridade sobre tudo e sobre todos. A mulher não participava da vida social. Era inferior ao homem em tudo. Devia obedecer e ser mandada por ele. As filhas não tinham o mesmo direito que os filhos. -Todo o povo da Palestina acreditava em um só Deus, mas havia correntes diversas na religião. Os que eram da classe dominante se aproveitavam da religião para permanecer no poder e continuar tendo seus privilégios. Os que eram da oposição queriam, em nome da fé, mudar as coisas. Cada um esperava um Messias, mas conforme as suas conveniências. Um movimento religiosos diferente era o dos batistas, mais abertos ao povo. Jesus se aproximou deste movimento quando recebeu o batismo no rio Jordão.

O povo vivia sem orientação ("ovelhas sem pastor"), perdidos no meio das opiniões divergentes. Muitas vezes o povo era manipulado para um outro lado. Jesus aparece com sua proposta e sua prática diferente; (...) assume posição ao lado dos trabalhadores explorados, marginalizados e excluídos.
Jesus propõe acabar com um sistema que leva à morte e vem implantar o reino de Deus para que todos tenham vida em abundância. Um reino de amor, fraternidade e partilha.


Jesus dá pleno cumprimento ao projeto de Javé

Jesus ao atingir aproximadamente 30 anos (Lc 3,23) vivia em Nazaré da Galileia. Então se apresentou ao povo com sua mensagem e missão (Lc 4,18-19). Jesus tinha convivido com agricultores explorados, assistiu à explosão de violência, a formação de grupos de resistência (Barrabás) e defesa da vida do povo, presenciou a tradição dos antigos (Mc 7,1-5), interpretada do jeito deles. Estes escribas proponham uma vida cheia de normas e obrigações (Mc 7,6-13). Jesus viu também a piedade confusa e resistente dos pobres, bem expressa no Cântico de Maria (Lc 1,46-55) e também na esperança de um novo Êxodo, de experiência da libertação (Lc 1,71-75).

Jesus tornou-se aluno dos fatos (onde Deus está presente), cresce no meio dos conflitos, da exploração, da convulsão social, da desintegração crescente. Assim, sempre unido ao Pai em oração, Jesus vê a chegada a hora de anunciar a Boa-Nova do Reino: a hora de agir de forma concreta e radical. "Esgotou-se o tempo (prazo)! O Reino de Deus está aí. Mudem de vida!" (Mc 1,15-45).

Jesus se apresenta como o Messias-servo, não como "poderoso, prepotente, ditador. Ele propõe o Ano da graça", isto é: trazer de volta aos pobres tudo o que lhes foi tirado no decorrer da história. Tudo isso ara viver a Nova Aliança com Deus Pai.


Hoje ainda há gente profundamente ligada às propostas de Jesus. Gente que luta pelos direitos de seus irmão, gente que tenta mudar a sociedade para que ela seja mais de acordo com o que Jesus nos trouxe. Temos pessoas que até a morte confirmam este caminho: dom Oscar Romero, pe. Josimo, Ir. Adelaide, Margarida Alves, Chico Mendes, Santo Dias e outros.

Agir
O que você acha mais importante nas propostas de Jesus? Por quê? Como eu identifico aqui no meu estado e no Município movimentos e lutas que estão acontecendo de acordo com essas propostas de Jesus? Tenho condições de me aliar a um desses movimentos?
 Para se posicionar diante do mundo( nossa sociedade) devemos conhecer bem a realidade, discernir o que está por trás das coisas. O poder é exercido a favor de quem? As coisas, as posses servem a quem?

Depois nos perguntamos:
Onde Jesus se colocaria hoje?
Ele votaria em qual partido?
Com que tipo de movimento ele iria se simpatizar mais?Como Jesus ia se posicionar diante das práticas religiosas? A partir dessas respostas, sou capaz de fazer a opção por algum movimento, alguma luta que Jesus certamente apreciaria hoje?


Jesus se coloca ao lado dos excluídos

Jesus vive a maior parte de seu tempo com aqueles que não tinham lugar a sociedade.
-Prostitutas: repudias pelos fariseus. Condenadas, Jesus as reconhece como pessoa, lhes dá valor, confia na recuperação delas.
-Publicanos: gente desprezada, porque colabora com os romanos e muitas vezes cobrava demais, zombava do povo. 
-Leprosos: marginalizados por sua doença contagiosa e considerados cheios de pecado. Jesus os toca e os limpa, desenvolvendo-os à sociedade (Mt 8,2-4;11,2-6).
-Mulheres: pessoas de segunda categoria, sem voz nem vez... Jesus as acolhe na sua companha (Lc 24,1-11).
-Crianças: desprezadas pela sociedade machista. Só têm valor após os 12 anos. Jesus as apresenta como professores dos adultos para entrar no reino (Mt 18,1-5; 19,13-15).
Samaritanos: tidos como uma sub-raça, por se misturarem com estrangeiros e não possuírem uma Religião pura como a de Israel. Jesus apresenta um samaritano como modelo que cumpre a lei (Lc 10,25-37; 17,11-19).
-Famintos: pobres tomados por preguiçosos e não cumpridores exatos da lei. Jesus os acolhe como rebanho sem pastor, lhe dá comida..
-Mulher adúltera: podia ser apedrejada pelos costumes da época. Jesus a acolhe, defende e perdoa (Jo 8,03-11).
-Pescadores: para a religião estavam perdidos, pois a profissão os impedia de cumprir suas obrigações religiosas. Jesus os chama para serem discípulos (Mc 1,16-20).
Jesus deixa bem claro que sua avaliação da realidade social é totalmente outra. Condena os ricos que só querem para si e não partilham (Lc 6,24-26). Ao jovem rico apela para a partilha e fica triste quando este não aceita o desafio (Lc 18, 18-23).

É claro, Jesus fez opção pelos pobres, sai em defesa dos marginalizados. Quem quiser ser discípulo é chamado à mesma atitude.

Daí a obrigação do cristão de entrar nos movimentos que se alinham com o projeto, o jeito de Jesus. Tudo é luta em favor dos pequenos, dos trabalhadores, dos marginalizados, é lugar para o cristão se sentir bem.

Há consequências? Claro que sim, Jesus foi morto na cruz por causa dessa atitude de solidariedade com os oprimidos. Os grandes não queriam mudanças, não queriam largar suas riquezas, não aceitavam a partilha. E mataram Jesus.

Para nós, há o mesmo perigo. Sofrer por causa de posições corajosas em defesa dos pequenos não é estranho. E a cruz que faz parte da vida do cristão.

Agir
A defesa dos pequenos/pobres/marginalizados não é tarefa para alguém empreender sozinho. Precisamos de organização.

Em qual luta organizada (partidária, sindical, popular) eu posso me engajar?

Jesus deixa bem claro que sua avaliação da realidade social é totalmente outra. Condena os ricos que só querem para si e não artilham (Lc 6,24-26). 
É claro, Jesus fez opção pelos pobres, sai em defesa dos marginalizados. Quem quiser ser discípulo é chamado a mesma atitude.

06 março, 2016

Preparar a catequese-Planejamento para catequistas iniciantes


Fonte: wehearit
"O catequista inicia a sua missão de evangelizar no momento em que ele começa a preparar a catequese que vai transmitir aos catequizandos. Esta preparação remota é importantíssima e deve ser realizada com muito carinho e atenção." 
(Maria de Lurdes Mezzalira Pincinato)



Gostei da frase, só mudaria uma palavra: transmitir. Esta expressão "transmitir a catequese" me remete a "dar catequese" e significa que o catequizando é um sujeito passivo que recebe o conhecimento do catequista. Nosso orientador Tadeu, da escola catequética, disse que devemos "fazer catequese" e não "dar catequese". Mas a ideia expressa pela autora da frase acima é boa. Nossa missão inicia na preparação dos encontros, quando começamos a ler sobre o tema.

Acho que o ideal é já começar a preparação com, pelo menos, 5 dias de antecedência. Preparar a catequese um dia antes do encontro é arriscado. Planejamento requer tempo e dedicação. 

Pesquisas podem ser feitas na Internet: procure, nos blogs e sites de catequese, textos sobre a temática proposta. Anote ou salve o que for importante. Uso a tecnologia a meu favor. Tenho uma conta no Evernote e crio então pastas para cada tema, vou salvando tudo o que eu considero importante. 

Quem não conhece ainda,  o Evernote é uma ótima ferramenta de organização. E você pode criar "cadernos" dentro do aplicativo de acordo com o conteúdo da catequese. Você pode acessar o site clique aqui  e  também baixar o aplicativo no celular. Assim, você pode levar para a catequese o planejamento no celular ou tablet, sem necessidade de imprimir. Com esta atitude estaremos cuidando da "casa comum" ao reduzirmos o uso de papel. 

Outra dica é criar um caderno de planejamento (para quem não gosta de tecnologia ou não usa).  Com o caderno, você ficará com o histórico dos seus planejamentos. E na próxima turma, já tem até uma fonte de pesquisa. 


Na Internet, tem muito material bom. Mas não esqueça os livros: são essenciais para o catequista. Nem tudo encontramos na Internet. Sei que livros são caros, mas e se montássemos uma biblioteca para a catequese? Fica a sugestão.

Fique atento aos sites que pesquisa. Procure sites/blogs confiáveis.

Sugiro que procure conectar o tema da catequese com a vida hoje. Por exemplo, falei sobre Abraão que migrou da sua terra natal para uma terra que Deus iria indicar. Para iniciar o assunto (ver) citei os imigrantes, refugiados e até retirantes.

É importante que, durante a preparação, o catequista pense até mesmo nas possíveis dúvidas que irão surgir durante a catequese para se preparar também para as respostas. É bom lembrar que se o catequizando perguntar e não soubermos responder, não tem problema nenhum dizer que vamos pesquisar e trazer a resposta depois.

É bom anotar o planejamento em tópicos, principalmente catequistas iniciantes, assim:

-Oração
-Dinâmica de Apresentação- Troca de crachá
-Ver - Perguntar aos catequizandos: "Você já presenciou pessoas saindo de sua terra natal em busca de sobrevivência em outro estado ou outra cidade? "
-Desenvolvimento do Tema
-Oração



O planejamento é uma fase muito importante, é o pré-encontro de catequese, e o sucesso da catequese vai depender de um planejamento bem feito. 


 Cris Menezes
http://catequesedeeucaristia.blogspot.com.br

03 março, 2016

Planejamento- Encontro sobre Abraão- Catequese com adultos


Ver

Você já presenciou pessoas saindo de sua terra natal em busca de sobrevivência em outro estado ou outra cidade? Viu como ficam jogadas na beira das estradas, nas rodoviárias, na periferia das cidades, morando em barracos, sem emprego, sem dinheiro, sem comida, sem condições de voltar à sua terra?

Julgar

Bem antes dos anos 1200 antes de Cristo, grupos de pessoas fugiram da seca de Canaã. Foram para o Egito porque o rio Nilo sempre inundava as terras, tornando-as férteis. Saíram para buscar sobrevivência e uma vida digna.

Aos poucos esses grupos, lá no Egito, começaram a ser dominados. Foram escravizados e, em ritmo forçado, tinham de fazer grandes obras para o Faraó (Ex 1, 11-14; Ex 5, 1-21). Entre esses escravos havia gente fugindo da seca, havia grandes grupos revoltosos, prisioneiros de guerra e mesmo gente pobre da terra.

Essa gente toda já não aguentava mais: gritava e gemia. Chorava por causa do grande sofrimento e humilhação impostos pelo Faraó. Deus ouviu o clamor de seu povo (Ex 3, 7-10). Deus entra na história e faz crescer no coração do povo a determinação de sair desta escravidão. Por meio da liderança de Moisés principalmente Deus organiza seu povo e faz surgir a coragem no coração deles.

Por aquele tempo o poder do Faraó se enfraqueceu um pouco por causa das intrigas internas. O povo aproveitou a oportunidade e buscou a liberdade. Em vários grupos o povo pegou o caminho do deserto para se libertar da escravidão do Egito (Ex 14, 1-8.15-31).
Depois, reunidos no deserto, esses vários grupos chegaram a ter clareza de consciência de que tudo não era apenas resultado de sua vontade e de sua força, mas Javé mesmo é que estava presente em todos os lances dessa história libertadora. Deus tinha dado força, coragem , iniciativa e criatividade a eles. E lá no deserto celebram o grande Deus-Javé-Libertador.

Ainda no caminho pelo deserto o povo passou por muitas dificuldades: fome, sede, perseguição, divergências e divisões. Tinham de aprender a viver em liberdade com o seu Deus-libertador. Essa foi a grande experiência religiosa que está na base da nossa fé até hoje. O êxodo é celebrado e lembrando em todas as fases da história do povo de Deus. Mostra-nos como Deus se coloca ao lado dos oprimidos, como propõe um mundo novo, diferente daquele que os opressores de ontem e de hoje querem. Essa experiência de Deus Libertador volta de maneiras diferentes em circunstâncias  diferentes. Essa experiência  nós temos de acolher hoje. Organizarmos e lutar para superar as marginalizações, as desigualdades, as injustiças e os abusos sofridos pela grande maioria de nosso povo.

Agir

Quem participa de alguma luta em defesa dos mais fracos? Conte qual luta nós podemos assumir para assim vivermos nossa fidelidade ao Deus-libertador.

Fonte: Encontro do livro Seguir o mestre (Batismo e/ou confirmação e eucaristia de adultos), de Antônio Francisco Blankendaal.

01 março, 2016

Saber cuidar do ambiente e das pessoas- CF2016





Texto-base Campanha da Fraternidade 2016

A harmonia do ser humano com o meio ambiente aparece bastante na Bíblia como símbolo da vida gratificante que Deus planejou para nós. Vemos isso no começo, com uma descrição poética de como deveria ser o mundo: o Jardim do Éden, onde "brotava da Terra uma fonte, que lhes regava toda a superfície" (Gn 2,6). O ser humano "formado do pó da terra" é outro símbolo da relação que Deus quer que tenhamos com a natureza.

Temos a tarefa de sermos jardineiros e jardineiras de um jardim que reflete a harmonia desejada por Deus: "Deus tomou Adão e o colocou no Jardim do Éden, para que cultivasse e guardasse" (cf Gn 2,15). No Éden, nascia um rio que se dividia em quatro braços, lembrando os quatros pontos cardeais e assim representando a terra inteira. Essas passagens iniciais da Bíblia ressaltam a importância do cuidado humano pela integridade da criação.

Na nova Jerusalém do Apocalipse , temos de novo um símbolo que evoca a natureza como fonte da Vida: um rio de água vivificante que brilhava como cristal e brotava do trono de Deus. Além disso, reaparece a Árvore da Vida, que dá fruto doze vezes por ano, produzindo cada mês o seu fruto e suas folhas servem para curar as nações (cf. ap 22,1-2).

A água, limpa e potável, também aparece muito como símbolo da vida digna e presente de Deus. Nesse sentido, temos, por exemplo, a água que Moisés fez brotar no deserto (cf. Ex 17,6). O próprio Jesus usa esse símbolo quando se anuncia à samaritana como "fonte de água viva" (cf. Jo,4,14), A água e a natureza bem cuidadas são sinais de  presença de Deus e apelos de fidelidade à missão que a humanidade recebeu do Criador. A água e a natureza são grandes presentes e, em qualquer situação da nossa vida, estragar um presente é uma ofensa a quem generosamente o oferece.

Dentro desse espírito, podemos também interpretar o simbolismo da água nos ritos de purificação do Primeiro Testamento e no Batismo. A água batismal significa a nossa purificação e a Nova Vida que Deus está nos oferecendo, porque há uma forte ligação entre limpeza, água e dignidade da vida.

Ao longo de sua caminhada, o povo foi descobrindo e estabelecendo normas de higiene e limpeza para que a comunidade humana fosse um reflexo desta harmonia retratada no jardim do Éden.

Diante disso, podemos examinar mais de perto algumas atitudes do povo da Bíblia na caminhada que foi sendo desenvolvida a serviço do projeto de Deus:

a) Organizar a comunidade para que resolvam seus problemas. A descentralização do poder e das decisões é fundamental para que as pessoas sejam bem atendidas pelo poder público. Assim, Jetro ensina a Moisés organizar o povo dentro de uma estrutura descentralizada (cf. Ex 18,13-27).

b)Manter a limpeza do acampamento. Em Deuteronômio 23,13-14 temos as recomendações a respeito do saneamento básico do acampamento. Cada pessoa deve ter, entre seus instrumentos de trabalho, uma pá para cavar e depois cobrir suas fezes e assim evitar sujeiras e doenças. Um lugar adequado, fora do acampamento, deve ser reservado para isso. (...)

c) Cuidar e tratar da água a ser consumida. As fontes, poços e cisternas devem ser mantidos puros (cf. Lv11,36). A pureza da água a ser consumida foi um problemas na travessia do deserto. Moisés purifica as águas amargas tornando-as potáveis (cf. Ex 15,23-25). Da mesma forma, o profeta Eliseu resolve o problema de abastecimento de água para a cidade de Jericó (cf. 2Rs 2, 19-22). Através do cuidado humano, o manancial envenenado volta a ser fonte de vida. Foi sentado junto ao poço de Jacó que Jesus conversou com a samaritana sobre a água viva (cf. Jo 4, 1-26).

d) Saber comer alimentos bons. No jardim do Éden havia "ervas que produzem sementes e árvores que dão frutos bons em abundâncias" (cf. Gn 1,11-12). A natureza nos fornece alimentos saudáveis. Está implícita a recomendação de ter cuidado com o que se come; As pessoas têm direito à quantidade de alimentos necessários para sua sobrevivência com igualdade de direitos e sem exageros (cf. Ex 16,18). Devemos aprender com Jesus e evitar todo desperdício de alimentos (cf. Jo6,12). A comida pode causar doenças.

e) Repartir com os pobres. A lei preservava o direito dos pobres em recolher as sobras das colheitas (cf. Dt 24, 19-22). Todos devem ter direito aos bens necessários para sua sobrevivência (cf. Dt 23,25).

f) Cuidar das árvores e bosques. Não cortar árvores. Respeitar as árvores frutíferas (cf. Lv 19,25) porque os frutos das árvores são bênção de Deus. Seus frutos servem de alimento e suas folhas de remédio (cf. Ap 22,2). O alerta feito em Deuteronômio (cf. 20,19) lembrando que as árvores são importantes e sob sua sombra decisões importantes podem ser tomadas (cf. Jz4.4-5).

g) Respeitar e remunerar bem o trabalho alheio. Não se deve explorar o assalariado e o trabalhador. O salário deve ser pago em dia e, no caso do pobre, no mesmo dia, antes que o sol se ponha para que ele possa se alimentar (cf. Dt 24, 14-15; Tg 5,1-6). Ninguém deve aproveitar-se da situação de miséria pela qual está passando uma pessoa para explorá-la (cf. Lv 25,39). Tudo isso hoje nos apontaria a necessidade de respeito pelos trabalhadores e pelas trabalhadoras e seus direitos, incluindo a obrigação de dar a eles possibilidade de vida saudável, em ambiente bem cuidado (cf. Lv 16).

h) Saber descansar. O dia sagrado do descanso deve ser observado. Todos precisam descansar (cf. Ex 20,8-11). Inclusive a terra cultivada precisa de um sétimo ano de descanso (cf. Ex 20, 8-11). O lazer é importante e todos devem ter o direito de viverem tranquilos e felizes "debaixo da vinha e da figueira" (cf Mq 4,4). Aqui podemos perceber que há ritmos que devem ser respeitados também no cuidado com os recursos naturais.

Fonte: Texto-base da CF 2016.